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Capítulo de livro estimula o conhecimento sobre as Plantas Alimentícias Não-convencionais (PANC)

Escrito por Heleno Rocha Nazário | Publicado: Quarta, 20 de Novembro de 2019, 16h16 | Última atualização em Quarta, 20 de Novembro de 2019, 18h04 | Acessos: 719

Talvez o fato das Plantas Alimentícias Não-convencionais (PANC) serem em geral desconhecidas pela população brasileira seja um bom exemplo de riqueza não aproveitada. O consumo predominante de alimentos industrializados e o efeito disso na saúde humana, a grande quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar e a imensa diversidade de flora no país, dentre outros fatores, podem ajudar a explicar a importância de fazer renascer o interesse em cultivar e consumir essas plantas que são tão nutritivas e ao mesmo tempo tão ausentes das nossas mesas.

Quando os dados científicos vêm alinhados com experiências de cultivo e de consumo desses alimentos, a atenção para com aqueles motivos se faz acompanhar da água na boca. É o efeito do capítulo Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) associadas ao agrossistema cacau-cabruca no sul da Bahia, publicado no livro Guia de Manejo do Agroecossistema Cacau Cabruca vol.2, editado pelo Instituto Cabruca e assinado pelos pesquisadores Alessandra Quirino Bertoso dos Santos Jardim, Jomar Gomes Jardim, José Lima Paixão e Larissa Corrêa do Bomfim Costa. O capítulo apresenta uma pequena amostra de espécies alimentícias pouco conhecidas, como o cansanção-vermelho, e de partes em geral descartadas de alimentos bem presentes, como a banana e o aipim, e completa o texto com uma série de receitas com as PANC.

Outro ponto relevante é que o capítulo descreve como o agrossistema cacau-cabruca favorece o cultivo desses alimentos pouco usuais, ampliando os argumentos a favor de ecossistemas agroflorestais como provedores de espécies vegetais alimentícias e medicinais. É o ciclo completo da sustentabilidade, abrindo possibilidade de conseguir lucro econômico sem prejudicar o ambiente e de aumentar a oferta de alimento saudável e acessível para a população.

 

Comer o que tem

O capítulo também menciona duas atividades de compartilhamento de experiências e saberes sobre essas fontes de nutrição. O professor Jomar Gomes Jardim, José Lima Paixão e Alessandra Quirino Bertoso dos Santos Jardim atuam no projeto de extensão Alimentação saudável utilizando como base as Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC na UFSB. Já a professora Larissa Costa ministra a disciplina optativa PANC: do mato para o prato, acessível para os cursos de Biologia e de Agronomia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

fotos cap pancO projeto de extensão desenvolve as oficinas Comer o que tem desde 2016. A ideia brotou de alguns encontros dos coordenadores em um sítio de agricultura familiar no começo de 2015. As refeições compartilhadas deram a ideia de um curso no qual as receitas culinárias tradicionais que usam PANCs serviriam de raízes para o resgate cultural dessa cozinha e à promoção da alimentação saudável e a custo reduzido para a população de baixa renda. Os frutos do projeto são um crescente livro de receitas com as plantas não-convencionais na lista de ingredientes e encontros de compartilhamento de saberes que beneficiaram cerca de 500 pessoas, incluindo estudantes do ensino fundamental, médio e superior, professores, agricultores familiares e assentados e povos tradicionais, como os indígenas e os quilombolas. 

Cada encontro consiste em uma oficina denominada "comer o que tem", na qual os participantes, guiados pelos líderes do projeto, percorrem um itinerário em propriedades rurais, o que pode incluir áreas de cabruca, quintais, floresta nativa. A ideia é coletar as plantas alimentícias que forem encontradas e, a partir do que foi recolhido, preparar coletivamente o almoço.

 

 

Breve identificação das PANCs e receitas fazem parte do relato.

 

"Chegamos cedinho na comunidade, e saímos com um grupo com ferramentas como facão, podão, cestos, sacos, etc e iniciamos a caminhada nos agrossistemas, por exemplo, o cacau-cabruca, em um fragmento de floresta, se houver, ou nos quintais. Durante a caminhada vamos identificando as possíveis plantas comestíveis. Às vezes, as próprias pessoas locais lembram de plantas e nos levam ou indicam o local", explica o professor Jomar.

Um relato breve do projeto de extensão foi publicado na revista Fitos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em junho de 2019. As oficinas, que no começo eram para grupos variando entre 15 e 20 participantes, deram aos participantes experiência para preparar almoço para cerca de 300 pessoas, durante o II Encontro de Mulheres da Teia dos Povos, em maio de 2018. Tanto na coleta quanto no preparo, as oficinas engajam as pessoas com o percurso da coleta à degustação. É a riqueza natural que o Brasil precisa conhecer mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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