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Artigos premiados em evento integram dossiê temático sobre o SUS

Escrito por Heleno Rocha Nazário | Publicado: Quinta, 09 de Julho de 2020, 12h11 | Última atualização em Sexta, 10 de Julho de 2020, 10h51 | Acessos: 879

A capacidade de resposta de um país frente à atual pandemia de covid-19 tem muito a ver com a sua estrutura de saúde, em especial o setor público. E um dos legados que esse período deveria deixar no Brasil é a valorização e o aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde brasileiro, o SUS. É com o foco na formação de novos profissionais e na concepção do atendimento básico que a revista científica Revista Integrativa em Inovações Tecnológicas nas Ciências da Saúde (REVISE) publicou uma nova edição com a temática “O Sistema Único de Saúde na Formação e na Prática Médica”.

O dossiê especial é composto dos trabalhos premiados no 3º Congresso de Medicina do Recôncavo da Bahia, e quatro desses artigos são assinados por docentes e estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia integrantes do Núcleo de Estudos em Semiologia e Propedêutica Clínica (NESPc), professora Maria Luíza Caires Comper, que orientou e é co-autora dos trabalhos publicados, conta que ela e os estudantes sob sua orientação levaram sete textos ao congresso com resultados de pesquisas de Iniciação Científica (IC), atividades de ensino e projetos de extensão, todos relacionados com a saúde pública, seja acompanhando atendimentos nos postos ou discutindo e relatando experiências da formação de novos profissionais da área. Dentre os aspectos presentes nos trabalhos, unindo temas distintos como a saúde do trabalhador, da gestante e a formação de novos trabalhadores especializados estão o emprego de metodologias pedagógicas mais participativas, o uso  de técnicas voltadas para a educação em saúde como ferramenta de conscientização e a valorização do SUS como espaço de promoção e proteção da saúde.

Segurança do Trabalho e Saúde do Trabalhador

Apresentação de trabalho no III Congresso de Medicina do Recôncavo da Bahia 2019 02Um dos artigos é intitulado Diagnóstico de demandas ocupacionais no território e intervenção em saúde do trabalhador: um relato de experiência, assinado por Maria Luiza Caires Comper, Lohana Guimarães Souza, Maísa Miranda Coutinho e Gustavo Bruno Bicalho Gonçalves. Nele, a equipe relata a experiência realizada no componente curricular Saúde e Trabalho, do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, com a adoção de metodologia de aula invertida e o foco no aprendizado de Segurança do Trabalho dentro do currículo de profissional de saúde. A proposta realizada era aprender e experimentar métodos de mensuração de riscos laborais e condições sociais, econômicas e culturais da ocupação e do próprio território para diagnosticar a situação dos trabalhadores no território de Vila Santa Isabel, distrito do município de Ibicaraí e também conhecido como Quilômetro 41. Mas o relato não para na identificação dos problemas: a equipe também preparou uma intervenção na qual a educação popular em saúde e materiais para a comunicação foram ferramentas importantes para a participação dos próprios trabalhadores na discussão e adaptação das melhorias propostas para a segurança laboral.
 
O trabalho permitiu um contato diferenciado com o tema da saúde e a segurança do trabalho, com a escuta da equipe da UBS e dos trabalhadores. A professora Maria Luiza comenta que essa opção pedagógica ofereceu visão teórica e prática sobre essas dimensões: "A experiência adquirida permite que o estudante tenha uma perspectiva ampliada dos determinantes de saúde em um território, incluindo as condições de trabalho, muitas vezes pouco considerada pelos profissionais de saúde. Também permite que o estudante  vivencie todas as etapas de um processo de diagnóstico e intervenção para a promoção de saúde em um território, reconhecendo que o cuidado em saúde precisa ser ampliado para além do diagnóstico e tratamento de doenças."

 

No paper seguinte, Acidentes de trabalho por distúrbios osteomusculares registrados no Brasil entre 2006 e 2017, Jeniffer de Araújo Abreu, Larissa da Silva Vieira, e a professora Maria Luiza Caires Comper descreveram os resultados de pesquisa epidemiológica a partir dos dados extraídos do Anuário Estatístico da Previdência social. O intuito foi descrever a incidência e as características dos acidentes de trabalho decorrentes de distúrbios osteomusculares ocorridos no Brasil durante o período de 2006 a 2017. O foco foi dirigido para a notificação de casos envolvendo as afecções musculares e ósseas agregadas sob a sigla LER/DORT ("Lesões por Esforço Repetitivo", termo em fase de substituição por "Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho"), uma vez que esses casos são equiparados aos acidentes de trabalho para efeito de concessão de benefício-acidentário. Os resultados apontam para uma tendência de subnotificação dos casos e consequente redução de pagamento do benefício aos trabalhadores afetados. Esse achado aponta a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância em saúde do trabalhador na Atenção Básica como uma forma de evitar a subnotificação dos casos, ampliar as ações de promoção da saúde e compartilhar conhecimentos sobre prevenção de acidentes com os trabalhadores.

Dentre as possibilidades de ações para sanar o problema, a professora Maria Luiza pondera que o ponto de partida é melhorar as condições dos profissionais à frente do contato com a população. "Acreditamos que uma das principais ações seria o fortalecimento das ações de vigilância em saúde do trabalhador por meio das equipes da Atenção Básica. Essas ações incluem: a avaliação do perfil produtivo de cada território, com identificação dos principais riscos ambientais e ocupacionais que decorrem dos serviços e processos produtivos e suas relações; coleta de informações/dados ocupacionais do usuário; monitoramento e análise epidemiológica dos casos de DORT. Essas informações contribuem para o planejamento de intervenções que possam promover a saúde dos trabalhadores", detalha a pesquisadora.  

 

Formação em saúde e a experiência das gestantes em uma UBS

WhatsApp Image 2020 07 08 at 17.21.52Outro artigo constante do dossiê é intitulado Gestação, Parto e Puerpério na perspectiva de gestantes de uma Unidade Básica de Saúde, assinado por Larissa da Silva Vieira, Jeniffer de Araújo Abreu, Karen Kessy Souto Paulo, Lavínia da Silva Menezes, Luiza Bastos Martins e Maria Luiza Caires Comper. O texto relata experiência de ensino realizada na Unidade Básica de Saúde José Maria Magalhães Neto, ligada ao módulo III, em Itabuna, pela turma do componente curricular "Propedêutica Clínica dos Problemas de Saúde da Gestação, Parto e Puerpério", do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde. Esse componente se volta à apresentação e discussão de diferentes processos que ocorrem durante a gravidez, o parto e o período de recuperação pós-parto, bem como a preparar os estudantes e futuros profissionais para produzir dados significativos sobre esse ciclo. O objetivo da atividade foi fazer com que a turma se experimentasse no contato com as gestantes e se preparasse para atuar na educação para a saúde de mulheres em gestação. O método usado articulou contatos e coletas de informações junto à equipe da UBS ao uso da técnica de "roda de conversa", feito com a finalidade de ouvir as gestantes e sanar dúvidas que elas tivessem em relação aos diferentes processos que ocorrem durante e após a gestação.

No artigo, uma das conclusões é que o aprendizado foi mútuo, com as gestantes tendo acesso a informações sobre aspectos da gestação que as preocupavam, e a turma de estudantes adquirindo competências para o contato com pacientes e para o uso da educação em saúde como estratégia para qualificar sua futura atuação como profissionais da área. O preparo para o uso dessa ferramenta pedagógica no contato com pacientes é uma adição valiosa para quem atende e quem é atendido: "A educação em saúde fortalece o empoderamento do paciente/usuário nas escolhas e decisões de cuidado com sua saúde. Muitas condições de saúde, especialmente as crônicas (diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e etc.) requerem a mudança de hábitos de vida para o sucesso terapêutico. Neste caso, é necessário que eles  compreendam quais são os fatores de risco, os sinais e sintomas e as possibilidades de manejo (prevenção e tratamento) relacionados as suas condições. Tal compreensão contribui para aderência ao tratamento e a um hábito de vida mais saudável", explica a professora Maria Luiza.  

 

Apresentação de trabalho no III Congresso de Medicina do Recôncavo da Bahia 2019O quarto texto premiado e publicado no dossiê é o artigo Núcleo de Estudos em Semiologia e Propedêutica Clínica: Um caminho complementar para a formação em saúde, escrito por Brenda Santana Almeida, Carolyne de Santana Santos, Maria Luiza Caires Comper. Nele, as autoras relatam a experiência do NESPc como proposta e ação que unificou pesquisa, ensino e extensão, os pilares da ação universitária. Como registros, a equipe contabiliza trinta sessões de ensino, quatro oficinas de capacitação, dois eventos científicos, cinco ações de educação em saúde, dois projetos de pesquisa e vinte e seis resumos submetidos e aprovados para apresentação em eventos. O percurso do NESPc mostra como é possível inovar no treinamento e formação de mais profissionais de Saúde com atenção para a realidade vivida pela população, e como trabalhar pela melhoria desse contexto.

Para a professora Maria Luiza, dois momentos se mostraram bastante desafiadores: "a implantação, porque foi um momento de experimentar as melhores estratégias a serem adotadas para promover um compartilhamento de conhecimento ampliado. Isso demandou muito estudo e engajamento de minha parte e também dos estudantes. O ingresso dos estudantes de outras universidades promoveu uma nova necessidade de 'desconstrução' das formas de ensinar. Também houve uma necessidade de adaptação dos estudantes de ambos os lados, para reconhecer a importância de um trabalho colaborativo. Ter engajamento dos participantes de cada equipe na mesma proporção é um grande desafio".

Os mesmos pontos de desafio também trouxeram a gratificação profissional da docente. "Vivenciar a experiência de uma formação interprofissional com compartilhamento em uma perspectiva ampliada é muito gratificante. Além disso, ao longo dos quase dois anos, foi possível ver nos estudantes o desenvolvimento de habilidades importantes, tais como: planejamento de educação em saude, trabalho colaborativo, gestão de equipes, elaboração de materiais didático, planejamento e realização de pesquisas dentre outros. 

Foto dos membros do Núcleo de Estudos em Semiologia e Propedêutica Clínica NESPc 02

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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